Ele atende uma mulher estrangeira. Ele procura sempre atendê-las, relacionar-se assim com desconhecidas completa-o, de certa forma.
O ano 2000
You have to ask yourself what brought the person to this point
terça-feira, 27 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O pé da Lolita
O pai observa-a pela faixa de luz da porta do quarto, com os olhos consumidos por tal visão. Vê o modo como o verniz se apodera da unha total e a torna vermelha, exactamente da cor com que os seus lábios são pintados mais tarde. Ele sabe que ela não se apercebeu da sua presença e delira pelo facto de estar ali, sem ter de estar ali. O seu robe de cetim laranja e creme roça-lhe na coxa de pele macia e a luz incide sobre as madeixas loiras do seu cabelo grisalho. Os olhos também parecem luminosos, mais verdes, mais apaixonados. Mas é nesse pé, é nesse pé que se centra toda a beleza. Nesse pé em que o vermelho se apodera das unhas, nesse pé que subindo dá origem a uma perna, de musculo firme e a pele suavemente bronzeada. Nem ele sabe se tem a ver com o vermelho do verniz, ou se se trata da forma gentil do pé, mas algo o seduz imensamente. "Nesse pé de princesa onde tu pintas, o vermelho nas unhas, e a tristeza" Ele sente a tentação proveniente da imagem que observa minuciosamente e afasta-se da porta do quarto e dos perfumes doces que daí emanam. Avança até ao bar da casa e serve um whisky com gelo, acende um cigarro e abre as duas portadas da varanda. As lufadas de ar fresco entram e elucidam-lhe a cabeça. Têm consciência de estar mais calmo, menos viciado nos pés de menina que ela ainda é, no cheiro do seu perfume doce, na forma perfeita e rigorosa dos seus pequenos pés. "Saio p'rà rua a respirar os ácidos, perfumes e solto-me, mesquinho, já de ti!" Bebe do whisky e fuma o cigarro quando um ruído forte o faz voltar a cabeça. É quando a vê, unicamente de roupão, com o cabelo loiro e as unhas vermelhas a secar. Passa pelo corredor e sorri-lhe envergonhadamente, dirigindo-se de seguida à cozinha para preparar um chá de frutos vermelhos. Novamente imagens fortes lhe invadem a mente, imagens dela, nesse mesmo roupão, com certas partes do corpo a descoberto, com as maçãs do rosto rosáceas, o olhar inebriado nessa manhã de calor. Depois, o cheiro do verniz a secar apodera-se do salão e ele delira. Vê-se forçado a fechar os olhos e inspirá-lo com exacta precisão. Quando os abre, depara-se com ela especada, bem à sua frente, com os olhos postos no seu ar de infame prazer. A sua pequena boca aberta num círculo fecha-se rapidamente e mantém uma expressão rígida e tentadora, como apenas ela sabe fazer. Avança entre ziguezagues para o pai apaixonado e estende-lhe o pé de unhas pintadas ainda frescas aguardando prova de tal desejo. O pai fita-a e endoidece. Num impulso exagerado, coloca-se de joelhos e beija-lhe o pé, apaixonado. O cheiro da sua pele macia e doce invade-lhe os orgãos, torna-se a única coisa que ele poderá cheirar durante dias. Depois, apercebendo-se do quanto ferozmente lhe agarra e beija o pé larga-o, de repente. As marcas dos dedos vão-se evaporando com o tempo. Fitam-se durante momentos. A filha afasta-se e vira-lhe as costas. O pé tem ainda as marcas dos dedos do pai, o robe abana com o vento que entra da janela. Um desejo cresce dentro do pai. "Nesse pé de princesa que eu beijei." Acabou-se. Deixa-se cair para o sofá e pensa no que acabou de cometer. Incesto. Sente a vontade incontrolável de chorar e beber mais whisky. Viverá para sempre sozinho neste salão, para todo o sempre, com perfumes doces a passaram constantemente ao seu lado, com o cheiro dos frutos vermelhos ainda quentes, com o verniz a secar. E, novamente, com a memória de um outro beijo no pé, nunca ultrapassariam tal acção. "E nas cinzas, o desejo sabe arder. Nesse pé de princesa das Astúrias, crescem às vezes acordes de samba." Era assim, amor deste, entre pai e filha, amor de beijar o pé, amor de amar o pé.
Nesse pé..., 2008, intercalado com excertos do livro A Noiva das Astúrias de Eduardo Guerra Carneiro
Nesse pé..., 2008, intercalado com excertos do livro A Noiva das Astúrias de Eduardo Guerra Carneiro
domingo, 7 de março de 2010
Need a Doctor?
Mas a droga devia ser demasiado pura porque não me recordo de quando me puxou para outra sala, onde me arrancou as roupas e me encheu de whisky e linhas, bebendo-o e cheirando-as num frenesim louco. Arrancou-me a blusa do corpo e puxou-me as calças com tamanha força que os seus dedos brutos ficaram vincados nas minhas coxas e abdominais. Depois abriu-me as pernas e mordeu-me as virilhas enquanto deitava coca por cima do meu clítoris e o lambia desvairadamente. No peito, em cima dos mamilos, deitou a quantidade de whisky que achou possível derramar e lambeu-o tão bem que quando regressei a casa o cheiro da sua boca estava espalhado por todo o corpo assim como as marcas de dentadas de tonalidade vermelha que frisavam o rosa salmão dos meus mamilos. Certas zonas do meu corpo, desgastou-as tanto que o sangue escorria em grandes camadas, inundando a superfície dura onde o meu rabo estava assente. Poderia ter durado horas e horas, porque a moca era tão grande e a dor tão aguda que entrava em orgasmos repetidamente. O Doutor sempre foi extremamente profissional e eficiente com os seus pacientes. Depois de me ter lambido e consumido pediu-me delicadamente que me virasse de costas para que prosseguisse com a inspecção física. Afastou-me as nádegas e introduziu dois dedos no recto enquanto me lambia languidamente o ouvido e me dava leves mordidelas pela coluna. Certa parte do ombro arrancou-ma com os dentes e trincou-a até a engolir, vindo-se quase simultaneamente ao meu lado. Agitou-me pelos ombros, sentou-me na cadeira e piscou-me o olho, de onde escorriam espessas lágrimas que fluíam com o sangue que jorrava da boca.
-Continuas perfeita, querida. Irrepreensível. Nunca me apareceu ninguém como tu, é bastante interessante. Estás óptima. E vamos manter o tratamento, pelo menos durante mais alguns meses. Volta daqui a relativamente pouco tempo para eu poder observar tudo novamente e garantir que não surgiu nenhuma complicação maior.
-Obrigada, Doutor. – respondi bastante austera ao que ele sorriu.
-Tens aqui a medicação, não te vou passar receita desta vez. – diz, entregando-me um pequeno saco transparente cheio de pó branco. – alguma dúvida telefonas-me.
Olho para ele uma vez mais e levanto-me, deixando o corpo descair numa dor forte. Avanço até à porta mas a sua voz faz-me parar, volto-me para trás.
-Oh, e Alicia – diz, enquanto observa as folhas pousadas na secretária à sua frente, voltando novamente o olhar frio para mim. – Pede um chupa-chupa na saída, sabes que eu preocupo-me sempre com os meus pacientes especiais.
Por Alicia em As duas invenções do pornógrafo Loy - 2010
-Continuas perfeita, querida. Irrepreensível. Nunca me apareceu ninguém como tu, é bastante interessante. Estás óptima. E vamos manter o tratamento, pelo menos durante mais alguns meses. Volta daqui a relativamente pouco tempo para eu poder observar tudo novamente e garantir que não surgiu nenhuma complicação maior.
-Obrigada, Doutor. – respondi bastante austera ao que ele sorriu.
-Tens aqui a medicação, não te vou passar receita desta vez. – diz, entregando-me um pequeno saco transparente cheio de pó branco. – alguma dúvida telefonas-me.
Olho para ele uma vez mais e levanto-me, deixando o corpo descair numa dor forte. Avanço até à porta mas a sua voz faz-me parar, volto-me para trás.
-Oh, e Alicia – diz, enquanto observa as folhas pousadas na secretária à sua frente, voltando novamente o olhar frio para mim. – Pede um chupa-chupa na saída, sabes que eu preocupo-me sempre com os meus pacientes especiais.
Por Alicia em As duas invenções do pornógrafo Loy - 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
All tomorrow dinners
-Bem, acho que vou buscar o gelado. – diz a Ana.
-Ana estás muito bem. - diz o Johnny focando o olhar sério e doente na silhueta da Ana.
-Desculpa?
-Sim, caralho... Não te faças de desentendida... Estás boa!
-Hum, bem obrigada, Johnny.
-Oh, qual obrigada qual quê. Ainda andas com o larilas do Darwin?
-Larilas?
-Sim pá, toda a gente sabe.
-Toda a gente sabe do quê?
-Toda a gente sabe do que se passou!
-Do que se passou? - a Ana parece mesmo não estar a pescar nada do que ele diz. - Estás a falar do quê, Johnny?
-Oh, foda-se. Tu sabes!
-Não, não sei!
-Que o papá dele lhe foi ao cuzinho. – A Ana olha ferozmente para o Ruben que abana a cabeça negativamente. Parece que não foi ele.
-Isso não é verdade. - desculpa ela.
-Caralho, Ana. CLARO QUE É VERDADE. Não me digas que nunca te apercebestes. As camisas aos quadrados, o sotaque…
-Ele é holandês…
-Merda pá, o que é que isso tem a ver? O que eu acho é que não devias perder tempo com esse gajo. Podes ter qualquer rapaz que queiras.
-Vê lá se não a queres violar ali no quarto de cima. – diz a Trevo num tom de voz infantilizado e irritante. A Ana abre os olhos perplexa. Eu estou a mijar-me a rir, mas continuo a esforçar-me para não o demonstrar. Caralho, que jantar!
-E que tal se te metesses na tua vidinha…– berra ele.
-Bem, eu vou buscar o gelado… - diz a Ana novamente.
-Então e tu Patrícia? Ainda não te ouvi dizer nada esta noite. Deves estar enfrascadíssima em whisky. – a Ana levanta uma sobrancelha. Esta conversa está a ser interessante para todos.
-Eu?
-Sim, pá. Quem é que é o tipo que andas a papar agora?
-Bem, não tenho um relacionamento estabelecido agora. – Estabelecido não consta no dicionário de bolso dele. – Não ando a papar ninguém agora.
-Ah! Gostas de foder uns e outros, não?
-Sim, exactamente isso! – diz o Daddy. Filho da puta.
-É, eu também não tenho nada sério agora. – A Trevo levanta os olhos e fita-o desesperadamente. O namorodo deles acabou de ser rebaixado à condição de "nada sério" em frente a um grupo de agarrados. Acho que se começa a aperceber do que é que aquela maça cinzenta cerebral é feita. – Um gajo precisa de se abrir de vez em quando.
-Então e à bocado acabaste por conseguir dormir alguma coisa de jeito? – pergunta-me finalmente o Jimmy. -Epá não. A Ana resolveu despachar uma garrafa de vodka e foder-me os cornos. – As atenções centram-se na Ana que me abre os olhos ofendida. Estou-me a cagar, vou prosseguir. – Oh, mas eu já estou habituada. Quando não me esgravata a porta põe-se com aquela merda barulhenta no quarto.
-Que merda barulhenta? – pergunta o Daddy, desejoso de ter qualquer assunto de que ele ainda não se tenha apercebido que possa usar como arma numa guerra caseira.
-Aquele vibrador rabbit. É a noite toda zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá… depois vem o pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá…tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá…zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum. – Estão todos atentos aos meus lábios. Estou a ser emotiva, tenho a certeza. A Ana parece que vai chorar. – Mas o pior é quando passa horas no zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Até que tenho de gritar: “foda-se Ana!”. Epá é que quer dizer, uma gaja precisa de dormir. Aquela merda fode os cornos a qualquer um. – acho que vou ficar sem almoço durante uma semana.
-Oh Patrícia, caralho. –diz ela. Se calhar entusiasmei-me com o rumo da conversa.
-Oh Ru. Não te sintas envergonhada. Aqui o Johnny gosta de saber destas histórias. Tamos em família, caralho! Não te ponhas com timidezes. – ela baixa os olhos e contorce os lábios, numa daquela: “Pois. Parece que assim é.” – Até porque eu não fico a pensar que és uma puta ou assim, hum? Não me interpretes mal. Eu acho até bastante curtido essas cenas. – O Daddy tem um brilho diabólico nos olhos. O whisky leva-me sempre ao fundo das questões. A mesa mantém-se em silêncio agora.
-Então pá Johnny! – diz o Jimmy entusiasmado – no outro dia vi aí um vídeo teu com uma garina qualquer. Qual delas é que era? – diz com um riso idiota e tipicamente masculino. – Sem ofensa, querida. – dirigindo-se à Trevo, que acena tranquilamente.
-Ah! Era esta! Aqui a minha favorita! – e nisto agarra-a pelos ombros e dá-lhe um grande beijo na boca. Estamos sem palavras.
-Então quer dizer que já está tudo bem? – pergunto eu, sem pensar.
-O QUÊ? – pergunta a Tré assanhada e sem perceber patavina desta merda. O Johnny olha para a Ana, a Ana olha para mim, foda-se está duplamente zangada; o Daddy olha para o Jimmy e o Jimmy olha para o Daddy. Depois olham todos para mim, que coro cada vez mais enquanto encolho os ombros e imploro por misericórdia. Olham todos menos o Johnny que foca a Ana com um ar zangado e neurótico.
-Do que é que ela está a falar? - pergunta a Tré com um sorriso nos lábios. Rezo para que esse sorriso não desapareça. Bebo um grande gole de vinho. Ela continua na espectativa. Bebo o resto do copo.
-Johnny? Johnny? JOHNNY? - a inquietação dentro da Tré é visivel a todos nós. Puxa-lhe a manga do casaco freneticamente.
– DO QUE É QUE ELA ESTÁ A FALAR, JOHNNY?
Estou tão lixada que nem me apetece pensar nisso. Voltam todos a olhar para os pratos e o Johnny resmunga baixinho enquanto fita a Ana – Sua puta, sua puta.
-Bem, acho que vou buscar o gelado. – mas continua sem se levantar.
-Johnny! Do que é que ela está a falar? – a voz da Tré é decididamente estridente e irritadora. Deixei de ter pena dela.
-Foda-se, caralho! Mete-te na merda da tua vida. – Todos mantém um olhar de enterro. Mas que casualidade, ouvir o Johnny falar assim com a maior parte das suas namoradas.
-Mas Johnny! – grita ela.
-FODA-SE! JÁ TE MANDEI CALAR. – olha tudo para baixo.
-Estou grávida, Johnny. – Olha tudo para ela. Sem dúvida que estes jantares são para repetir.
-O quê? – diz ele, perplexo.
-Estou grávida. – e nisto começa a soluçar. – Com licença. – e levanta-se da mesa mais vermelha que um tomate. Todos se mantém calados.
-Bem eu acho que vou buscar o gelado. – diz a Ana uma vez mais.
-Eu vou buscar a merda do gelado. – digo eu já irritada com essa deixa.
Por Patrícia em Nevermind (Cap. Ninguém te vai dar tau-tau) 2008
-Ana estás muito bem. - diz o Johnny focando o olhar sério e doente na silhueta da Ana.
-Desculpa?
-Sim, caralho... Não te faças de desentendida... Estás boa!
-Hum, bem obrigada, Johnny.
-Oh, qual obrigada qual quê. Ainda andas com o larilas do Darwin?
-Larilas?
-Sim pá, toda a gente sabe.
-Toda a gente sabe do quê?
-Toda a gente sabe do que se passou!
-Do que se passou? - a Ana parece mesmo não estar a pescar nada do que ele diz. - Estás a falar do quê, Johnny?
-Oh, foda-se. Tu sabes!
-Não, não sei!
-Que o papá dele lhe foi ao cuzinho. – A Ana olha ferozmente para o Ruben que abana a cabeça negativamente. Parece que não foi ele.
-Isso não é verdade. - desculpa ela.
-Caralho, Ana. CLARO QUE É VERDADE. Não me digas que nunca te apercebestes. As camisas aos quadrados, o sotaque…
-Ele é holandês…
-Merda pá, o que é que isso tem a ver? O que eu acho é que não devias perder tempo com esse gajo. Podes ter qualquer rapaz que queiras.
-Vê lá se não a queres violar ali no quarto de cima. – diz a Trevo num tom de voz infantilizado e irritante. A Ana abre os olhos perplexa. Eu estou a mijar-me a rir, mas continuo a esforçar-me para não o demonstrar. Caralho, que jantar!
-E que tal se te metesses na tua vidinha…– berra ele.
-Bem, eu vou buscar o gelado… - diz a Ana novamente.
-Então e tu Patrícia? Ainda não te ouvi dizer nada esta noite. Deves estar enfrascadíssima em whisky. – a Ana levanta uma sobrancelha. Esta conversa está a ser interessante para todos.
-Eu?
-Sim, pá. Quem é que é o tipo que andas a papar agora?
-Bem, não tenho um relacionamento estabelecido agora. – Estabelecido não consta no dicionário de bolso dele. – Não ando a papar ninguém agora.
-Ah! Gostas de foder uns e outros, não?
-Sim, exactamente isso! – diz o Daddy. Filho da puta.
-É, eu também não tenho nada sério agora. – A Trevo levanta os olhos e fita-o desesperadamente. O namorodo deles acabou de ser rebaixado à condição de "nada sério" em frente a um grupo de agarrados. Acho que se começa a aperceber do que é que aquela maça cinzenta cerebral é feita. – Um gajo precisa de se abrir de vez em quando.
-Então e à bocado acabaste por conseguir dormir alguma coisa de jeito? – pergunta-me finalmente o Jimmy. -Epá não. A Ana resolveu despachar uma garrafa de vodka e foder-me os cornos. – As atenções centram-se na Ana que me abre os olhos ofendida. Estou-me a cagar, vou prosseguir. – Oh, mas eu já estou habituada. Quando não me esgravata a porta põe-se com aquela merda barulhenta no quarto.
-Que merda barulhenta? – pergunta o Daddy, desejoso de ter qualquer assunto de que ele ainda não se tenha apercebido que possa usar como arma numa guerra caseira.
-Aquele vibrador rabbit. É a noite toda zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá-zá… depois vem o pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá…tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá…zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum-zum. – Estão todos atentos aos meus lábios. Estou a ser emotiva, tenho a certeza. A Ana parece que vai chorar. – Mas o pior é quando passa horas no zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Até que tenho de gritar: “foda-se Ana!”. Epá é que quer dizer, uma gaja precisa de dormir. Aquela merda fode os cornos a qualquer um. – acho que vou ficar sem almoço durante uma semana.
-Oh Patrícia, caralho. –diz ela. Se calhar entusiasmei-me com o rumo da conversa.
-Oh Ru. Não te sintas envergonhada. Aqui o Johnny gosta de saber destas histórias. Tamos em família, caralho! Não te ponhas com timidezes. – ela baixa os olhos e contorce os lábios, numa daquela: “Pois. Parece que assim é.” – Até porque eu não fico a pensar que és uma puta ou assim, hum? Não me interpretes mal. Eu acho até bastante curtido essas cenas. – O Daddy tem um brilho diabólico nos olhos. O whisky leva-me sempre ao fundo das questões. A mesa mantém-se em silêncio agora.
-Então pá Johnny! – diz o Jimmy entusiasmado – no outro dia vi aí um vídeo teu com uma garina qualquer. Qual delas é que era? – diz com um riso idiota e tipicamente masculino. – Sem ofensa, querida. – dirigindo-se à Trevo, que acena tranquilamente.
-Ah! Era esta! Aqui a minha favorita! – e nisto agarra-a pelos ombros e dá-lhe um grande beijo na boca. Estamos sem palavras.
-Então quer dizer que já está tudo bem? – pergunto eu, sem pensar.
-O QUÊ? – pergunta a Tré assanhada e sem perceber patavina desta merda. O Johnny olha para a Ana, a Ana olha para mim, foda-se está duplamente zangada; o Daddy olha para o Jimmy e o Jimmy olha para o Daddy. Depois olham todos para mim, que coro cada vez mais enquanto encolho os ombros e imploro por misericórdia. Olham todos menos o Johnny que foca a Ana com um ar zangado e neurótico.
-Do que é que ela está a falar? - pergunta a Tré com um sorriso nos lábios. Rezo para que esse sorriso não desapareça. Bebo um grande gole de vinho. Ela continua na espectativa. Bebo o resto do copo.
-Johnny? Johnny? JOHNNY? - a inquietação dentro da Tré é visivel a todos nós. Puxa-lhe a manga do casaco freneticamente.
– DO QUE É QUE ELA ESTÁ A FALAR, JOHNNY?
Estou tão lixada que nem me apetece pensar nisso. Voltam todos a olhar para os pratos e o Johnny resmunga baixinho enquanto fita a Ana – Sua puta, sua puta.
-Bem, acho que vou buscar o gelado. – mas continua sem se levantar.
-Johnny! Do que é que ela está a falar? – a voz da Tré é decididamente estridente e irritadora. Deixei de ter pena dela.
-Foda-se, caralho! Mete-te na merda da tua vida. – Todos mantém um olhar de enterro. Mas que casualidade, ouvir o Johnny falar assim com a maior parte das suas namoradas.
-Mas Johnny! – grita ela.
-FODA-SE! JÁ TE MANDEI CALAR. – olha tudo para baixo.
-Estou grávida, Johnny. – Olha tudo para ela. Sem dúvida que estes jantares são para repetir.
-O quê? – diz ele, perplexo.
-Estou grávida. – e nisto começa a soluçar. – Com licença. – e levanta-se da mesa mais vermelha que um tomate. Todos se mantém calados.
-Bem eu acho que vou buscar o gelado. – diz a Ana uma vez mais.
-Eu vou buscar a merda do gelado. – digo eu já irritada com essa deixa.
Por Patrícia em Nevermind (Cap. Ninguém te vai dar tau-tau) 2008
The Moon Shines bright old
Acordo com o bater dos dedos suaves na porta. Estão quarenta grau e o meu corpo está molhado na sua própria transpiração. Há algo de relevante no modo como a janela se mantém aberta. Levanto-me e sinto as primeiras náuseas da ressaca apesar de ainda sentir o desconcerto do alcool. Volto a ouvir as leves pancadas na porta mas é demasiado cedo para alguém importante. Levanto-me e sinto a dor de cabeça que se avizinha e nao há nada que eu consiga fazer em relação a isso. Encho outro copo de Jack Daniels e sento-me à beira da cama. Fui um homem de sucesso outrora, tinha tudo. Sabia fazer tudo, era o melhor fazê-lo, mas algo ocorreu. Algo que não consigo indicar, definir, particularizar. O copo está totalmente cheio e mantem-se fixo nas minhas maos. Sinto na lingua o sabor doce e quente do whisky. Recordo-me de algo ocorrido na noite passada e ia jurar que vi a Sienna, à entrada do hotel sozinha. Os cabelos loiros agarrados à cabeça por um elástico e as suas feições intensas e calorosas. Recordo-me de como falava e procurava desesperadamente intrometer-se na minha vida, ou pelo menos de como o tentava fazer. Quebrar a barreira entre nós, nunca foi um passo acertado."É a lua, não é?" perguntou-me. Longas e quentes lágrimas rompem repentinamente e o copo fica vazio, bem como a garrafa, e só consigo ver a noite, tão postuma perante mim. E disse: "Sim, é a lua."
Por Paul Hudson em Jack Daniels
Por Paul Hudson em Jack Daniels
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Jack, Let's Make Love
Estou com uma paciência de merda. Aliás, estou sem a mínima paciência. Acabei por dormir menos de meia hora porque a Ana se lembrou de raspar as unhas na porta do meu quarto como se fosse um gato ou o caralho. Não tenho paciência para essas merdas. Ainda tentei enterrar a cabeça na almofada mas depois de alguns minutos a tentar apercebi-me que não ia aguentar assim tanto tempo. É que, infelizmente, ainda só respiro pelo nariz e a boca. Bom, a situação encontra-se no ponto em que tenho de me por minimamente apresentável, tenho de ajudar a por a mesa, tarefa que habitualmente me cabe, mas que hoje não me apetece fazer e tenho de receber amavelmente o cabrão do Johnny e a puta da namorada dele. É deprimente, as coisas difíceis que uma gaja se vê forçada a fazer. Para melhorar esta situação da treta acabei de ouvir a porta e deve ser o Daddy, pela maneira como a fez bater, o dia deve-lhe ter corrido uma merda e eu, sinceramente, não tenho o caralho a ver com isso. O problema é que para o Daddy isso pouca importa.
-Boa noite. – não me apetece conversas chatas. – Boa noite! – se ele me obrigar a abrir a boca temos um caso muito fodido entre mãos – BOA NOITE! .....MAS QUE MERDA É QUE EU TE FIZ AGORA? – a verdade é que não fizeste nada, mas não tenho paciência para ti e tenho a leve sensação que ainda irás fazer.
-Hoje o Johnny e a nova namorada dele vem cá jantar – diz a Ana, que pelos vistos recuperou rápido da proeza de há algumas horas. Estou impressionada! O que é que a tipa fez?! Os olhos dela estão incrivelmente lúcidos.
-Hoje? – partilhamos desta satisfação interior.
-Opá Daddy não te ponhas com merdas agora. Sabes bem que o tipo vai trazer um porradão de cocaína e nós não queremos merda com o Johnny pois não?
-O Johnny que se vá foder. Eu quero é que ele e as putas das namoradinhas dele morram.
-Não sejas estúpido. Se não estivéssemos aqui a falar do Johnny eu até acreditava nessa treta. – O Ruben é capaz de ser um filho da puta ainda maior que o Johnny por isso não me admirava nada que realmente o quisesse morto. Este gajo até a mamã devia querer exterminar.
-Daddy, trata das coisas com a Patrícia, eu vou dormir um bocado porque estou com uma dor de cabeça horrível.
-Eu? Mas eu por acaso convidei alguns cabrões para virem cá jantar? Por mim esses tipos nem punham os pés cá em casa!
-Pois mas parecem que vão, portanto não faças merda! – e nisto bate com a porta. Provavelmente alguém vai jantar com um olho negro… e não sou eu.
-Mas o que é que lhe deu? –não lhe vou responder, estou a achar um piadão em embirrar um bocado com o fulano. – Foda-se, mas tu estás a ouvir o que eu te estou a dizer? Qual é que é a merda do teu problema? – se não estivesse a fingir de zangada desmanchava-me já a rir. Mas tenho uma imagem a manter. – RESPONDE-ME. –talvez sempre serei eu a ir jantar de olho negro. Isto se ele até estiver bem disposto. – EPÁ! CAMBADA DE ANORMAIS – e bate com a porta. Parece que resto eu e tu. Jack. Meu homem.
Por Patrícia em Nevermind (Cap. Rapariga procura garrafa de whisky para relacionamento sério) 2008
-Boa noite. – não me apetece conversas chatas. – Boa noite! – se ele me obrigar a abrir a boca temos um caso muito fodido entre mãos – BOA NOITE! .....MAS QUE MERDA É QUE EU TE FIZ AGORA? – a verdade é que não fizeste nada, mas não tenho paciência para ti e tenho a leve sensação que ainda irás fazer.
-Hoje o Johnny e a nova namorada dele vem cá jantar – diz a Ana, que pelos vistos recuperou rápido da proeza de há algumas horas. Estou impressionada! O que é que a tipa fez?! Os olhos dela estão incrivelmente lúcidos.
-Hoje? – partilhamos desta satisfação interior.
-Opá Daddy não te ponhas com merdas agora. Sabes bem que o tipo vai trazer um porradão de cocaína e nós não queremos merda com o Johnny pois não?
-O Johnny que se vá foder. Eu quero é que ele e as putas das namoradinhas dele morram.
-Não sejas estúpido. Se não estivéssemos aqui a falar do Johnny eu até acreditava nessa treta. – O Ruben é capaz de ser um filho da puta ainda maior que o Johnny por isso não me admirava nada que realmente o quisesse morto. Este gajo até a mamã devia querer exterminar.
-Daddy, trata das coisas com a Patrícia, eu vou dormir um bocado porque estou com uma dor de cabeça horrível.
-Eu? Mas eu por acaso convidei alguns cabrões para virem cá jantar? Por mim esses tipos nem punham os pés cá em casa!
-Pois mas parecem que vão, portanto não faças merda! – e nisto bate com a porta. Provavelmente alguém vai jantar com um olho negro… e não sou eu.
-Mas o que é que lhe deu? –não lhe vou responder, estou a achar um piadão em embirrar um bocado com o fulano. – Foda-se, mas tu estás a ouvir o que eu te estou a dizer? Qual é que é a merda do teu problema? – se não estivesse a fingir de zangada desmanchava-me já a rir. Mas tenho uma imagem a manter. – RESPONDE-ME. –talvez sempre serei eu a ir jantar de olho negro. Isto se ele até estiver bem disposto. – EPÁ! CAMBADA DE ANORMAIS – e bate com a porta. Parece que resto eu e tu. Jack. Meu homem.
Por Patrícia em Nevermind (Cap. Rapariga procura garrafa de whisky para relacionamento sério) 2008
"Oh Christ" said the boy..."That year was something else!"
11 de Maio de 2000
Ela acorda, dói-lhe o estômago. Pensa na noite passada, sorri. Sente as pernas cansadas, o peito dormente, sente o cheiro dele por todo o corpo, mergulha no odor. Olha-se ao espelho, vê o rímel e o risco dos olhos a escorrer pela face. Arde-lhe a perna, observa, vê arranhões. Bastantes arranhões. Desce, come um iogurte, lava a cara, lava os dentes, arruma a mala. Põe os óculos e saí de casa.
Ele acorda. Tem o soutien ao pé, dói-lhe a cabeça. Dormiu poucas horas, tem de abrir a loja. Sente leves dores nas pernas e nos braços. Lava a cara, lava os dentes. Limpa a loja. Olha para o sofá e sorri. Guarda a roupa dela no quarto. Abre a loja.
Ela caminha, observa o sol, forte. Sente-o no estomâgo, na cabeça, na boca. Sente-se tonta. Continua a caminhar, chega à loja. Está aberta. Entra, não o vê. Espera. Ele aparece, ela sorri. É beijada. Ela pede a roupa. Ele diz que não dá. Ela sorri, beija-o. Combinam qualquer coisa e ela avança para a praia.
Ele atende três idosas, dá-lhes informações sobre fatos-de-banho vermelhos, elas estão atentas. Ele vai à arrecadação. Quando volta, encontra-a. Ela espera, com umas calças vermelhas e um biquini verde. Ele sorri. Beija-a. Ouve-a pedir a roupa. Diz que não pode, precisa dela, mais algum tempo. Vê-a sorrir e beija-a. Ela vai embora.
Ela chega à praia, as mesmas caras, as mesmas pessoas. Sente-se triste. Vai até ao mar, mergulha. Lava os restos de maquilhagem, de suor, do cheiro dele. Volta para a toalha, deita-se, pensa na noite passada. Começa a ser questionada sobre os arranhões, mente, sorri. Tem fome, vai para casa.
Ele não quer que ela vá, quer outra noite como a de ontem. Lamenta. Vê-a afastar-se. Continua a trabalhar. Começa a ter fome, vai almoçar. Volta para a loja e trabalha.
Ela chega a casa, sente-se cansada. Almoça e deita-se, acaba por adormecer. Sonha, sonha com alguma coisa. Acorda, já é tarde, ele ainda não disse nada. Caminha pela casa, sente o estomâgo dorido, sente a cabeça cansada e latejante. Pega na mala e saí.
Ele não vê hora para acabar o trabalho, quer ligar-lhe. Espera pelo amigo, está quase.
Ela vai a todos os cafés, quer um Redbull. Não há. Encontra um café que tem. Compra, caminha até à loja e bebe. Vê-o, fala com o amigo. Sorri. Ele olha para ela e sorri-lhe.
Chegou, ele não está sozinho. Agora pode sair com ela. Fala com ele, conta-lhe alguns pormenores da noite passada, eles riem alto, ambos. Ele vê-a chegar, sorri. Fala-lhe, diz-lhe para irem à praia.
Ela chega, fala-lhes. É convidada a ir à praia, aceita. Eles vão. Sentam-se, ele bebe um café, ela observa. Acabam, vão até à praia.
Começam por se dirigir ao café, a ideia é dele. Ele bebe, ela não. Ele fala, ela ouve. Vão até à praia.
Ela tem calor, corre para a água, despe as calças, mergulha, refresca-se, suspira. Corre para perto dele, que se encontra na areia, deitado. Deita-se ao seu lado. Ele olha-a. Ela sorri. Fecha os olhos. Encosta-se a ele. Não falam durante algum tempo. Deliram, imaginam e inventam coisas que sabem que nunca farão. Ela gosta tanto. Não consegue abrir os olhos. Ele abraça-a, ela sente-se confortável.
Ele está bem, ela tem calor. Ele não quer ir á agua, ela vai. Ele fica a observá-la. A sua sensualidade, no corpo, nas mãos, na cara. Quer que ela se deite. Sente-a molhada, beija-a. Ela fecha os olhos, ele senta-a encostar-se. Não falam. Ele parece gostar. Sente-a apertar. Aperta-a também.
Ela abre os olhos, vê os dele, tão perto. Sorri, beija-o. Sente as mãos dele pelo corpo, ela gosta. Fecha os olhos novamente encosta-se a ele. Gosta quando ele fica atrás dela, aquece-lhe o corpo. Fá-la sentir segura.
Ele olha para ela, ela acaba por fazer o mesmo. Ele vê os seus olhos, tão verdes, tão grandes, tão enigmáticos. Tentam dizer tantas coisas ao mesmo tempo. Sente os lábios dela. Toca-lhe no corpo, com as pontas dos dedos. Sente o relevo do peito, a barriga, o umbigo, sente as pernas, o pescoço macio. Ela fecha os olhos, parece gostar. Mexe-se, vira-se de costas e encaixa-se nele. Ele deixa, e aperta-a.
Ela pergunta se pode escrever sobre isto.
Ele olha-a com ternura, diz que sim. Diz que também irá escrever.
Retirado de O Ano de 2000 (11 de Maio de 2000)
Ela acorda, dói-lhe o estômago. Pensa na noite passada, sorri. Sente as pernas cansadas, o peito dormente, sente o cheiro dele por todo o corpo, mergulha no odor. Olha-se ao espelho, vê o rímel e o risco dos olhos a escorrer pela face. Arde-lhe a perna, observa, vê arranhões. Bastantes arranhões. Desce, come um iogurte, lava a cara, lava os dentes, arruma a mala. Põe os óculos e saí de casa.
Ele acorda. Tem o soutien ao pé, dói-lhe a cabeça. Dormiu poucas horas, tem de abrir a loja. Sente leves dores nas pernas e nos braços. Lava a cara, lava os dentes. Limpa a loja. Olha para o sofá e sorri. Guarda a roupa dela no quarto. Abre a loja.
Ela caminha, observa o sol, forte. Sente-o no estomâgo, na cabeça, na boca. Sente-se tonta. Continua a caminhar, chega à loja. Está aberta. Entra, não o vê. Espera. Ele aparece, ela sorri. É beijada. Ela pede a roupa. Ele diz que não dá. Ela sorri, beija-o. Combinam qualquer coisa e ela avança para a praia.
Ele atende três idosas, dá-lhes informações sobre fatos-de-banho vermelhos, elas estão atentas. Ele vai à arrecadação. Quando volta, encontra-a. Ela espera, com umas calças vermelhas e um biquini verde. Ele sorri. Beija-a. Ouve-a pedir a roupa. Diz que não pode, precisa dela, mais algum tempo. Vê-a sorrir e beija-a. Ela vai embora.
Ela chega à praia, as mesmas caras, as mesmas pessoas. Sente-se triste. Vai até ao mar, mergulha. Lava os restos de maquilhagem, de suor, do cheiro dele. Volta para a toalha, deita-se, pensa na noite passada. Começa a ser questionada sobre os arranhões, mente, sorri. Tem fome, vai para casa.
Ele não quer que ela vá, quer outra noite como a de ontem. Lamenta. Vê-a afastar-se. Continua a trabalhar. Começa a ter fome, vai almoçar. Volta para a loja e trabalha.
Ela chega a casa, sente-se cansada. Almoça e deita-se, acaba por adormecer. Sonha, sonha com alguma coisa. Acorda, já é tarde, ele ainda não disse nada. Caminha pela casa, sente o estomâgo dorido, sente a cabeça cansada e latejante. Pega na mala e saí.
Ele não vê hora para acabar o trabalho, quer ligar-lhe. Espera pelo amigo, está quase.
Ela vai a todos os cafés, quer um Redbull. Não há. Encontra um café que tem. Compra, caminha até à loja e bebe. Vê-o, fala com o amigo. Sorri. Ele olha para ela e sorri-lhe.
Chegou, ele não está sozinho. Agora pode sair com ela. Fala com ele, conta-lhe alguns pormenores da noite passada, eles riem alto, ambos. Ele vê-a chegar, sorri. Fala-lhe, diz-lhe para irem à praia.
Ela chega, fala-lhes. É convidada a ir à praia, aceita. Eles vão. Sentam-se, ele bebe um café, ela observa. Acabam, vão até à praia.
Começam por se dirigir ao café, a ideia é dele. Ele bebe, ela não. Ele fala, ela ouve. Vão até à praia.
Ela tem calor, corre para a água, despe as calças, mergulha, refresca-se, suspira. Corre para perto dele, que se encontra na areia, deitado. Deita-se ao seu lado. Ele olha-a. Ela sorri. Fecha os olhos. Encosta-se a ele. Não falam durante algum tempo. Deliram, imaginam e inventam coisas que sabem que nunca farão. Ela gosta tanto. Não consegue abrir os olhos. Ele abraça-a, ela sente-se confortável.
Ele está bem, ela tem calor. Ele não quer ir á agua, ela vai. Ele fica a observá-la. A sua sensualidade, no corpo, nas mãos, na cara. Quer que ela se deite. Sente-a molhada, beija-a. Ela fecha os olhos, ele senta-a encostar-se. Não falam. Ele parece gostar. Sente-a apertar. Aperta-a também.
Ela abre os olhos, vê os dele, tão perto. Sorri, beija-o. Sente as mãos dele pelo corpo, ela gosta. Fecha os olhos novamente encosta-se a ele. Gosta quando ele fica atrás dela, aquece-lhe o corpo. Fá-la sentir segura.
Ele olha para ela, ela acaba por fazer o mesmo. Ele vê os seus olhos, tão verdes, tão grandes, tão enigmáticos. Tentam dizer tantas coisas ao mesmo tempo. Sente os lábios dela. Toca-lhe no corpo, com as pontas dos dedos. Sente o relevo do peito, a barriga, o umbigo, sente as pernas, o pescoço macio. Ela fecha os olhos, parece gostar. Mexe-se, vira-se de costas e encaixa-se nele. Ele deixa, e aperta-a.
Ela pergunta se pode escrever sobre isto.
Ele olha-a com ternura, diz que sim. Diz que também irá escrever.
Retirado de O Ano de 2000 (11 de Maio de 2000)
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